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Arquivo mensal: agosto 2011

Quando conheceu Tadeu, ela estava muito ocupada flertando com Jorge. Tadeu era perfeito para ela – feito sob medida! – e o flerte com Jorge era inocentíssimo: conversas bobas seguidas de risos contidos. Ela sabia bem e Jorge nunca escondeu de ninguém: ele amava Érica. Um dia ele e Érica iriam se casar, ter filhos e envelhecer juntos. Mas, enquanto este romance não engatava de vez, ele se divertia trocando olhares por aí. Tadeu era diferente. Ele só tinha olhos para uma moça de cada vez. Ele só queria alguém que topasse ver um filme italiano, tomar um vinho e planejar outro mochilão pelo velho continente. Era tudo o que ela queria também! Ah, mas os olhares do Jorge… Quando a Érica resolveu dar uma nova chance para o rapaz, ela se debulhou em lágrimas lamentando todos os risos contidos que eles nunca mais poderiam dividir. E Tadeu estava lá: livre, gentil, educado. Foi entre as gargalhadas dos amigos numa mesa de bar que ela finalmente o notou: tão perfeito! Conversaram sobre arte, literatura e filosofia. Gargalharam quando descobriram que tinham os mesmos ídolos de infância. Alguns dias depois, Tadeu a convidou para ir a uma festa com ele. Ela já tinha compromisso. E tudo foi por água abaixo! Entre um gole e outro, Tadeu conheceu a Priscila. Magra, cabelos curtos, três anos mais jovem, artista plástica. Priscila nunca pisou na Europa e não entendia nada de filme italiano. “Vou te emprestar um DVD do Monicelli… Ah, você vai adorar Roma”, ele disse. Uma troca de telefones depois e Priscila já foi conhecer a sogra. “Eles formam um lindo casal”, é o que ela ouve por aí sobre os dois. De vez em quando, Tadeu escreve para ela perguntando como andam as coisas ou comentando um filme que assistiu. Ela responde educadamente e suspira – amaldiçoando o Cúpido por tanta maldade.

*Link original da foto: Cupid, myrrh.ahn

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