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Arquivo mensal: maio 2012

Eles tinham 21 anos quando se conheceram. Ela estudava Jornalismo; ele, Letras. A vida dos dois girava em torno de três coisas: faculdade, estágio, bar de sexta-feira. Eles se gostaram de cara e ficaram juntos por dois meses contados. Depois disso, o romance acabou. Ela precisava entregar o TCC e ele estava ocupado demais pensando se valia a pena terminar o curso naquele ano. Faculdade pública, sabe? Ela sofreu, ralou muito, dormiu mal, estudou pra caramba e se formou com louvor. Com a graduação, veio também o aniversário. Fez 22 anos, cheia de felicidade. E ele resolveu postergar a formatura. Ela se jogou de vez no mercado de trabalho, conseguiu um emprego e passou a pagar todas as suas contas sozinha. Ele começou a namorar uma caloura: ruiva, alta, marxista, novinha. Quando o aniversário de 23 anos chegou, ela não conseguiu nem comemorar. Tinha sido promovida na revista em que trabalhava e, é claro, com o aumento do salário veio também o aumento das responsabilidades. Ele, por sua vez, considerava trancar o curso e ir morar na Espanha por uns meses. Quando completou 24, ela se sentiu mais solitária do que nunca. Às vezes, até pensava nele.

Um dia desses, os dois se encontraram em plena avenida Paulista. Ela abriu um sorriso largo e acenou de longe. Ele, feliz em vê-la, veio ao seu encontro e contou que tinha acabado de sair da casa de alguns amigos, os mesmos de sempre. Ele perguntou como ela estava; ela disse que tudo estava certo e que não via a hora de tirar férias – se Deus quisesse antes de fazer 25 anos! Ele desejou sorte, os dois se abraçaram e partiram. E ele voltou para a república pensando em como os anos caíram bem a ela e se questionou se conseguiria se formar antes de completar 22. “É, eu ainda tenho tempo…”, lembrou.

*foto de neal fowler. 

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