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Arquivo mensal: janeiro 2013

Ele gostava de ópera. Mencionava O crepúsculo dos deuses e Aida como quem fala sobre o tempo. De um jeito simples, doce, sem pedantismo. Ela achava, aos 19 anos, que era lindo alguém entender de ópera. Nunca tinha visto uma. Tudo que sabia sobre ópera se resumia aquele vídeo do Andrea Bocelli, no Youtube, cantando Nessun Dorma. Ele também entendia de literatura, cinema europeu, gramática. Era gentil, educado, culto, bonito, solteiro, dez anos mais velho. Ela disse para as amigas que ele devia ser o tão famigerado príncipe encantado. Perfeito. O problema era que ele nem ligava para ela. Nenhum olhar, nenhuma conversa mais íntima, nenhum interesse. Talvez fosse a idade. Talvez ela fosse imatura demais. Talvez ela entendesse pouco de arte. Talvez ela não fosse inteligente o suficiente. Talvez ela não fosse bonita o suficiente. Talvez, talvez, talvez, talvez, talvez.

Seis anos mais tarde, quando as páginas dessa história estão cheias de pó, ela descobre que ele está comprometido. Ele namora um cara. Um CARA. Roberto. Loiro, dois metros de altura, lindo. Sabe tudo sobre ópera. Como é que ela nunca percebeu? Ela tinha vários amigos gays! Ela entendia os homens gays! Ela gostava deles! Como é que o radar falhou dessa vez?

Hoje ela vai custar para dormir e, quando ela pegar no sono, ela vai sonhar que todos os seus namorados/casos/rolos/quedas estão namorando também com o Roberto. Esse maldito fã de ópera! Fim.

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