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Arquivo mensal: maio 2013

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Felipe disse que queria passar esse feriado em Milão. Eu ri. Ele quer passear na via Torino, andar no Parco Sempione, freqüentar os restaurantes de Brera e atravessar o Castelo Sforzesco para chegar ao Duomo. Ah, o Duomo! Fico me lembrando dele todo iluminado naquela segunda-feira chuvosa e fria de abril. Eu vi o Duomo de dentro de um taxi naquele dia. Meus olhos se encheram de lágrimas, eu disfarcei. Não queria que a Silvinha me visse emocionada, não ainda. Ah, Milão! A Villar me viu na fila do café hoje; contou que ainda não viu todas as fotos da viagem dela à Itália depois daquela nossa semana em Milão. “Quero ver essas fotos também, Villar. Não se esquece de me mostrar?”, pedi. Chorei no ombro da Villar tarde da noite, numa quinta-feira, perto da Via Mazzini. Ela me achou uma louca.

Eu vou a eventos de design e decoração e me encontro com a Patricia, a Denise, a Ana. Todas elas estavam no mesmo hotel em que eu e a Silvinha ficamos. São boas lembranças. Queria ter visto a Chris na Casa Cor. A gente só se viu uma vez depois de Milão, puxa. Ainda não descarreguei as minhas fotos do Sforzesco. Ainda não vi as fotos do nosso almoço no lago di Como, estava tão frio naquele dia.

Vivi tanta coisa e não consigo escrever ainda sobre isso. Olho para o teclado e não consigo descrever o que Milão me deu. Não consigo explicar esse conjunto de sensações. Fecho os olhos e só me lembro das pessoas. Do descolado Marcel Wanders (que nos deu uma entrevista brilhante) a Janete, brasileira que cuidava do café da manhã no hotel Canadá. Lembro-me do Enzo, o segurança napolitano que me ajudou a recuperar a minha máquina fotográfica perdida num espaço de exposições gigante. Enzo ganhou um abraço apertado e me viu chorar de felicidade, sem entender porque as lágrimas só vieram quando a câmera voltou para a dona. Lembro da dificuldade de bater um papo em inglês com os designers japoneses. Lembro daquelas moças muçulmanas de véu que desenhavam lustres lindos e estavam orgulhosas de representar o Egito na feira. Às vezes, penso naquele mocinho madrileno que me contou que na casa da sua avó todas as cadeiras são de balanço, por isso ele investiu nelas para apresentar em Milão. Que graça!

Encontrei meu celular italiano na bolsa e pensei no Mirko e na Giulia, os simpáticos e solícitos funcionários da Tim que resolveram a minha vida. Saudades da Michela, a cinegrafista italiana que foi um anjo da guarda durante aquela semana. Fico me lembrando daquela tarde em que ela percebeu que a chiesa Santa Maria presso San Satiro estava aberta. “Ti faccio vedere una cosa”, me disse antes de mostrar que o altar desta igreja (que é mais antiga que a chegada de Colombo às Américas) é um dos trabalhos pioneiros em perspectiva – tudo isso, assim no meio do dia, antes de voltarmos para o espaço CASA CLAUDIA, na Santa Maria della Valle.

Procuro as minhas fotos, passo pela imagem que fiz da linda Rossana Orlandi no seu spazio shabby-chic, como ela mesma definiu. Fiquei louca para saber a idade dela, mas não perguntei porque li a plaquinha: “Le donne intelligenti hanno gli anni che decidono di avere”. Que linda! Aquela sexta-feira foi fantástica e a Silvinha concorda comigo. A Silvinha foi a melhor amiga e companheira de viagem do mundo. Gosto tanto dela. Não sei nem como agradecer por tudo. Não consigo explicar o que eu aprendi lá.

Fico com saudades de Milão, do que entendi sobre mim, de como eu me achei. Tento rascunhar, escrever algumas linhas sobre a experiência, mas não dá. O que ficam são as pessoas, essas lembranças, esses sentimentos, essas lágrimas. Fui corajosa. Tive medo. Tudo junto.

Quero escrever sobre isso. Por que eu não consigo? Volto, mais uma vez, para as minhas fotos. As pálpebras seguram as lágrimas. Milão, você me emociona tanto!  Como é que eu conto para os outros? Como eu explico? Não dá. Não consigo traduzir, desenhar, detalhar. Abro meu armário, vejo a camiseta que usei no vôo de volta. Como foi que o Massimiliano, o Casanova da Alitália, me achou bonita vestindo isso? O número de telefone dele ainda está num bilhetinho dentro da minha bolsa. Rio sozinha dessa história. Grazie, Milano, muito obrigada! Te vejo de novo um dia. Volto pela terceira vez, prometo. Italia, amore mio, ritorno subito. Ti giuro! 

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silvinha e felipe.

silvinha e felipe.

revista.

revista.

villar.

villar.

piazza del duomo.

piazza del duomo.

rossana orlandi.

rossana orlandi.

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