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Arquivo mensal: agosto 2013

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Caras, como você, adoram distribuir cavalheirismos para garotas, como eu. Dizem que nós somos lindas, nos dão carona até em casa, nos acompanham até o carro, nos ajudam a colocar o casaco, tocam nos nossos cabelos, tiram sujeira dos nossos rostos, conversam conosco perto demais, nos observam por tempo indeterminado, sorriem sempre ao nosso lado. Caras, como você, insistem que garotas, como eu, são incríveis e merecem o melhor do mundo. Caras, como você, costumam chamar garotas, como eu, de amigas, e imputam todo e qualquer romantismo a essa amizade, repleta de gentilezas. Garotas, como eu, ficam confusas e não sabem o que responder quando amigos, como os nossos, questionam a validade desta amizade. Caras, como você, agem com indiferença aos boatos.

Caras, como você, morrem de medo que a relação com garotas, como eu, seja mais do que um flerte sem veredicto. Caras, como você, acham que garotas, como eu, dão muito trabalho. Garotas, como eu, esperam desiludidas que caras, como você, tomem uma decisão, uma iniciativa, uma atitude. Aguardamos na mais profunda solidão, mentimos para nós mesmas, somos ingênuas, nos decepcionamos. Garotas, como eu, concluem que caras, como você, não devem estar tão interessados assim. E desistimos. Não sem antes perder o rumo, se embebedar de vinho e se vingar puxando papo com o moço mais bonito da festa – muito mais bonito do que você. Garotas, como eu, são a companhia perfeita para homens lindos e inteligentes, como ele. Garotas, como eu, precisam de homens, como ele, para esquecer caras, como você.

Caras, como você, acabam se declarando para garotas, como eu, somente sob efeito etílico. Garotas, como eu, não se esquecem disso. Nós nos lembramos muito bem. Caras, como você, fingem amnésia. Nos evitam, somem, voltam a nos tratar como amigas. Garotas, como eu, desistem. Desistimos. De novo. Essa falta de atitude mata.

Caras, como você, conhecem outras garotas pela internet, se apaixonam perdidamente em dois dias e mudam o status do facebook em uma semana. Caras, como você, permanecem teoricamente felizes até que se lembram que existem garotas, como eu.  E rompem. E nos ligam. E nos acompanham até o metrô. E nos elogiam. E nos observam exaustivamente. Morrem de medo da gente. Não tomam qualquer atitude. Cansamos. Desistimos. Mais uma vez. Re-pe-ti-da-men-te. E suspiramos, exaustas. Caras, como você, nunca conseguem se apaixonar de fato por garotas, como eu. Caras, como você, não foram feitos para garotas, como eu. Caras, como você, e garotas, como eu, nunca, nunca, nunca vão dar certo. Fim.

Foto de Maxwell GS.

Perco o ar lendo o blog que ele alimenta de dois em dois meses. Deixo a leitura acumular e dou uma olhada poucas vezes ao ano só para poder sentir taquicardia. Gosto do jeito que ele escreve, do bom uso de vírgulas, das hipérboles, das metonímias precisas. Sinto borboletas no estômago com cada catacrese bem empregada. Suspiro com a nossa troca ocasional de e-mails. Vivo pelas suas sugestões de livros e referências de filmes. Faço questão de convidá-lo para eventos em que ele não pode comparecer. De propósito. Ninguém recusa convites tão bem quanto ele. Amo secretamente as suas desculpas cheias de coesão literária. Ele é intelectualmente apaixonante. Gosto muito dele pessoalmente. Mas já gostei mais; e podia ter gostado ainda mais, não fosse ele tão inesquecível por correspondência. Por causa dele, não consigo flertar a distância com mais ninguém. É como tomar uma taça de vinho depois de três doses de uísque: não faz efeito. É isso mesmo, meu querido: todos eles são infinitamente entediantes quando comparados a ti, maldito bom conhecedor da língua portuguesa!

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