Há pôneis

Nos Pirineus, as janelas das casas são incríveis: antiquíssimas, de madeira e até separatistas — uma ou outra está sempre bradando pela Catalunya livre ao exibir com orgulho a bandeira catalã pró-independência, aquela com a estrela. As senhorinhas e os senhorzinhos, de povoados franceses na fronteira com a Espanha, têm seus nomes gravados nos bancos da Igreja, o que garante o lugar fixo nas missas. Os pôneis cavalgam tranqüilos pelas montanhas. Sim, eu disse pôneis. Muitos pôneis. Nunca vi tantos pôneis. Quem diria? Nos Pirineus, há pôneis. Não digam que eu não avisei.

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As fotos são minhas.

 

Meu sonho português

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Estava eu, nesta quarta-feira de cinzas, a caminhar sozinha pelas ruas de Lisboa — que, como eu, também estavam completamente sem companhia. No meu trajeto, do Mosteiro dos Jerónimos ao bairro Alto, encontro com um parente/amigo/conhecido a cada esquina. Todos me perguntam, ansiosos, em desespero, ávidos pela informação:
– Quando é que vamos comer um pastel de nata?

Eu, aflita, digo que não sei quando, nem como…
Eles, frustrados com a minha resposta, desaparecem, não deixam vestígios.
E eu continuo a vagar só rumo ao bairro Alto, em uma Lisboa ensolarada e ao mesmo tempo vazia e triste nesta manhã de feriado de cinzas.

Desperto. Em São Paulo.
Há um oceano de distância de Lisboa.
Um Atlântico inteiro.
Suspiro.

Talvez a vida seja demasiado solitária sem saber quando vamos comer pastéis de Belém de novo.