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Arquivo mensal: agosto 2014

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O quase-amigo é aquele cara que você conhece numa festa e descobre que é amigo de um colega de trabalho e conhecido daquele cara da faculdade que você não vê há um tempão. Ele já tomou uma cerveja com o seu primo num boteco da Vila Madalena há uns dois ou três anos e provavelmente estava naquele show, que você foi com aquela amiga de infância. O quase-amigo vira seu amigo no facebook, curte alguns dos seus posts, e, de vez em quando, comenta — quando acha pertinente. O quase-amigo é um cara bacana, gente fina pra ca*****. Tem potencial para ser um grande amigo, se vocês se vissem com mais frequência. E a gente quase se vê. Quase.

O quase-amigo é aquele cara que trabalha no sétimo andar, te cumprimenta no elevador e puxa papo na fila da lanchonete da empresa. É aquele cara que conversa com você durante dois ou três minutos enquanto o café expresso não vem, usando sempre frases típicas do mundo corporativo: “correria, né?”, “não tá fácil pra ninguém, mas a gente vai tocando”, “não vejo a hora de tirar férias”. O quase-amigo da empresa é seu amigo no facebook, curte todos os seus posts de trabalho e te indica um médico do plano quando você pergunta se alguém conhece um ortopedista. Vez ou outra, esse cara vai num happy hour com você. Depois de uns goles de cerveja, você descobre que ele é bacana, podia ser da turma. No calor do momento e da cachaça, vocês combinam de almoçar na quarta-feira, perto do trabalho, para bater papo. O almoço sai e é agradável. Não é sensacional. É suficiente para uma quarta-feira no meio do expediente. Qualquer dia, a gente marca de novo, beleza? Só que… Correria. Puta stress. Qualquer hora, rola. Não esquenta, não: estamos sempre aí. Quase dá certo. Quase.

O quase-amigo, às vezes, te deixa confuso. Você sempre fica em dúvida se convida ou não o quase-amigo para a sua festa de aniversário. Ele é um cara legal, bacana, mas você não sabe se combina com o resto da galera. O quase-amigo podia ser da galera. Mas será? Se ele fosse mesmo… puxa que legal! Ele podia ser da turma! Se a turma se encontrasse com mais frequência, a gente chamaria! Claro que chamaria. Mas, sei lá, deixa pra lá. Dessa vez, não. Na próxima? Você quase chama o quase-amigo pra festa. Quase.

O quase-amigo é aquele cara que te acha legal pra caramba. Te pergunta por que você está solteira e quer te apresentar um amigo dele do colegial. Você respira fundo. Sorri, fala que vai pensar e dá graças a Deus que os seus amigos não fazem mais isso porque eles sabem que você é uma chata. Os seus amigos já desistiram de você. Já dizem que você não vai achar ninguém desse jeito e te chamam de encalhada. O quase-amigo, coitado, tem esperança. Alguém avisa? Você mesma avisaria se sobrasse tempo ou tivesse mais cerveja em cima da mesa, mas… melhor deixar pra lá. Deixa ele continuar te achando tão legal. Ele não precisa saber. Não agora. Quer dizer, no fundo, ele quase sabe. Quase.

 

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